O Campão Cultural segue com uma programação intensa neste fim de semana, e ainda dá tempo de aproveitar diversas atrações até o dia 6 de abril. Como parte do Circuito Universidades, iniciativa que leva mais cultura e arte para as instituições de ensino superior de Mato Grosso do Sul, nesta quinta-feira (3), a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) recebeu o espetáculo “O Bem-Amado”, uma adaptação livre da obra de Dias Gomes, encenada pelo grupo de teatro Fulano di Tal.
Com direção de Marcelo Leite, Fulano di Tal comemora 22 anos de trajetória em 2025. A montagem de “O Bem-Amado” é uma comédia política carnavalesca, repleta de breguices, que narra as peripécias de Odorico Paraguaçu, um showman e prefeito da fictícia cidade de Sucupira do Sul, cuja principal promessa de campanha é inaugurar um cemitério municipal.
Para cumprir esse objetivo, Odorico conta com o apoio de suas fiéis correligionárias, as irmãs Cajazeiras (Dorotéa, Dulcinéa e Judicéia), além de seu secretário Dirceu Borboleta e do “fazedor de defuntos”, Zeca Diabo. No entanto, ele precisa enfrentar a oposição de Neca Pedreira, dono do jornal da cidade, que faz de tudo para impedir a realização dessa controversa promessa.
Marcelo Leite, 48 anos, produtor cultural e diretor da Fulano di Tal, destaca que a temática da peça continua atual: “A nossa apresentação é uma livre adaptação da obra do Dias Gomes, que é bem conhecida, já foi novela, já foi filme, e a gente faz uma grande brincadeira com a situação política que ele retrata. É uma história de muito tempo atrás, mas que continua atual. Parece que o Brasil não se atualizou, porque tudo ainda soa muito recente. Falar sobre política pode parecer cair em um lugar comum, mas, infelizmente, no Brasil, ainda é assim.”
Sobre a participação no Circuito Universidades, Marcelo comenta: “Apresentar no Circuito Universidades é muito especial, porque me formei aqui no ano passado, em Teatro, Licenciatura. Então, esse reencontro com a universidade, poder voltar como egresso e profissional, é muito interessante para a gente.”
Felps Cristaldo, 23 anos, acadêmico de Teatro da UEMS, ressalta a importância de levar apresentações culturais para dentro da universidade.
“Trazer o Campão para o campus facilita o acesso dos estudantes à cultura. As pessoas já sabem onde fica cada local, conseguem se deslocar com facilidade. Isso dá mais visibilidade para a universidade e também para a produção cultural. É uma forma de aproximar a comunidade acadêmica da sociedade, porque às vezes a universidade se fecha e a comunidade acaba achando que esse não é um espaço para ela. Esse tipo de ação cria uma ponte.”
“Eu gostei bastante. Nunca tinha visto a peça. Vim com meu namorado, que já assistiu várias vezes e é amigo do pessoal que está fazendo teatro agora. Achei a história muito legal, bem interessante. Gosto de teatro há algum tempo, e estou aprendendo a gostar ainda mais. A peça me surpreendeu de forma muito positiva”, destacou Gabriel Lima, de 23 anos, estudante de Letras na UFMS.
Bel Manvailer, Campão Cultural
Fotos: Altair Santos/ Campão Cultural