O músico Marcos Assunção trouxe o show Jazz e Viola para a UEMS na manhã desta sexta-feira (4), no Circuito Universidades, durante o Campão Cultural. Foi um show com um repertório autoral onde foi inserida a viola caipira num gênero mundialmente estabelecido que é o jazz, o jazz que tem sua principal engrenagem a improvisação.
Marcos Assunção disse que trabalha dentro do contexto de música que faz desde o princípio com meu trabalho de música instrumental que está muito ligado ao jazz. “Eu estou completando 20 anos de carreira e dentro desse período eu tive premiações nacionais, projeto Pixinguinha, apresentações importantes em projetos como o Caixa Cultural recente, que é um criterioso edital para artistas nacionais. Hoje eu me sinto um representante do Estado de Mato Grosso do Sul onde a música inserida nessa sonoridade peculiar da viola caipira dentro desse contexto de música contemporânea, a gente elenca as possibilidades infinitas que tem da parte de criação dentro desse instrumento que é o instrumento símbolo do nosso estado, que é a viola caipira, que tem a sua maneira peculiar de se tocar em Mato Grosso do Sul. É um instrumento muito rico para se trabalhar harmonia em outros contextos, apesar de ser um instrumento muito fincado no estereótipo do sertanejo, do caipira, esta é uma provocação que a gente faz inserindo a viola nesses contextos, quebrando paradigmas”.
Para o músico, cada um tem uma visão que é você criar música, a música autoral. “Eu acredito que o músico é um canal onde ele recebe essa capacidade, esse dom de transformar em notas musicais, em elementos organizados, tudo o que ele tem de sentimento em relação à vida, a beleza do mundo, essa é a função do músico, a música fala direto à alma. Quando a gente cria uma música, automaticamente a gente está comunicando com algo indizível, que é a nossa alma”.
Marcos disse que as universidades são ambientes propícios ao conhecimento, à ciência, o homem racional aberto ao novo, ao aprendizado. “Então eu acredito que é um ambiente propício para que essa música seja recebida com muito entusiasmo, porque partindo do princípio de que nós estamos num ambiente acadêmico onde as pessoas estão em busca de conhecimento, em busca das capacidades humanas criativas, essa música ela provoca porque ela não faz parte do contexto do entretenimento atual midiático, mas ao mesmo tempo ela tem uma profundidade de elementos tanto das questões teóricas quanto histórica e em outros contextos”.
Para o músico sul-mato-grossense, o Campão Cultural é um festival importantíssimo que envolve uma produção gigantesca realizada pela Fundação de Cultura, “que está de parabéns”. “A questão de ter democratizado nos editais a possibilidade de a música instrumental ser inserida nesse contexto já é uma conquista para nós, uma realização e que simboliza que esse governo, essa cultura, esse pensamento está indo ao encontro com a busca real de proporcionar ao público uma arte ímpar, verdadeira e rica em nossos elementos culturais sul-mato-grossenses e mundial”.
Gustavo Oliveira, acadêmico de Psicologia da UEMS, acha bem bacana ter os shows na universidade, “porque traz bastante conhecimento, às vezes, para as pessoas que não conheciam uma coisa mais regional, para ter um contato maior, principalmente para o público acadêmico. Hoje foi o primeiro dia que eu vim no Campão Cultural. O show está bem legal, o pessoal é bastante habilidoso, eu não conhecia, mas é bem bacana mesmo”.
Ana Carolina de Alencar Brites, acadêmica de Psicologia, acha muito interessante o Campão Cultural trazer os shows para a universidade, “porque além de espalhar a cultura também tem informação para as pessoas conhecerem os grupos musicais, de vários aspectos da cultura, música, dança, teatro, eu acho muito importante. Eu não conhecia o Marcos Assunção, mas eu gostei bastante, muito chique, muito legal os instrumentos e a música eu achei muito legal também”.
Roama Nunes, acadêmica de Turismo, gostou do show. “Eu acho incrível, eu acho bom, eu não me lembro de o ano passado eles terem vindo para a faculdade. Tem tudo a ver com o curso de Turismo, a questão cultural, a gente teve a disciplina de Eventos, é um momento de a gente estar aproveitando para aprender. Eu não conhecia o Marcos Assunção, mas eu gosto de música de viola, estou adorando”.
Texto: Karina Lima
Fotos: Ricardo Gomes